Pra Cima, Ciça! foi o enredo apresentado pela Unidos do Viradouro no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro do carnaval de 2026. O samba-enredo homônimo foi composto por Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Anderson Lemos, Sandrinho e Thiago Meiners, sendo interpretado no desfile pelo cantor Wander Pires. Com o desfile, a escola conquistou o seu quarto título de campeã do carnaval carioca, dois anos após a conquista anterior, em 2024. O enredo da Viradouro homenageou Mestre Ciça, diretor de bateria da escola e figura histórica da agremiação e do carnaval carioca. O homenageado participou da Comissão de Frente do desfile e retornou ao final da apresentação, onde subiu, junto com a Bateria Furacão Vermelho e Branco, na última alegoria, repetindo um dos momentos mais marcantes de sua carreira, quando a bateria da Viradouro desfilou em cima de um carro alegórico no carnaval de 2007. O enredo "Pra Cima, Ciça!" foi assinado pelo carnavalesco Tarcisio Zanon, que conquistou seu terceiro título na elite do carnaval carioca. A Viradouro foi a terceira escola a se apresentar na segunda noite do Grupo Especial, na madrugada da terça-feira de carnaval, dia 17 de fevereiro de 2026. O desfile foi aclamado pela crítica especializada, ganhando adjetivos como "histórico", "emocionante", "arrebatador" e "apoteótico". A Viradouro recebeu todos os principais prêmios de carnaval, dentre eles o Estandarte de Ouro. A escola também teve a comissão de frente e o enredo mais premiados do ano. A Viradouro venceu o carnaval de 2026 com um décimo de vantagem sobre a vice-campeã, Beija-Flor. A escola recebeu apenas duas notas abaixo da máxima, mas, seguindo o regulamento do concurso, as duas foram descartadas. Com isso, a escola foi campeã com a pontuação máxima de 270 pontos.

Antecedentes

Retrospecto Após passar por alguns anos de crise financeira, a Viradouro reestruturou-se com a chagada de Marcelo Calil Petrus e seu filho Marcelinho Calil ao comando da escola em 2017. A nova diretoria sanou as dívidas da agremiação e contratou profissionais gabaritados, vencendo a Série A de 2018. Em seu retorno ao Grupo Especial, no carnaval de 2019, a escola foi vice-campeã por três décimos de diferença para a campeã, Mangueira. No carnaval de 2020, a Viradouro conquistou seu segundo título de campeã do carnaval carioca, quebrando o jejum de 23 anos sem conquistas. A escola desfilou com o enredo "Viradouro de Alma Lavada", assinado pelos carnavalescos Tarcisio Zanon e Marcus Ferreira. No carnaval de 2022, foi a terceira colocada com um desfile sobre o carnaval de 1919, realizado após a pandemia de Gripe Espanhola. Após o desfile, Marcus Ferreira se transferiu para a Mocidade Independente de Padre Miguel. Tarcísio Zanon foi mantido e assumiu a escola sozinho, conquistando o vice-campeonato do carnaval de 2023 com um desfile que narrou a história de Rosa Maria Egipcíaca. No carnaval de 2024, a Viradouro conquistou seu terceiro campeonato no Grupo Especial. A escola desfilou com o enredo "Arroboboi, Dangbé", de Tarcisio Zanon, sobre a história do culto ao vodu Dambê. No carnaval de 2025, a Viradouro apresentou um enredo sobre Malunguinho, uma falange espiritual afro-ameríndia presente nos terreiros de Catimbó, Toré e Umbanda, inspirada na figura de João Batista, último líder do Quilombo do Catucá, e obteve o quarto lugar do Grupo Especial, o pior desempenho da agremiação desde seu retorno à primeira divisão.

Preparação para 2026 Depois do desfile de 2025, a Viradouro reformulou seu quadro de casais de mestre-sala e porta-bandeira, mantendo apenas o primeiro casal (Julinho Nascimento e Rute Alves). O novo segundo casal foi formado por Leonardo Thomé e Pietra Brum, substituindo Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete. Cauã Silva e Clara Martins formaram o novo terceiro casal, substituindo João de Oliveira e Duda Martins. A rainha de bateria, Erika Januza foi desligada do posto após quatro anos consecutivos na escola. Mestre Ciça convidou Luma de Oliveira, que foi sua Rainha de Bateria na Viradouro entre 1999 e 2003, mas a ex-modelo recusou o convite, alegando que "não poderia aceitar porque o queria como figura absoluta desse enredo que é dele". A escola ainda convidou ela pra desfilar numa alegoria, mas Luma novamente recusou dizendo fazer mais sentido "reverenciá-lo assistindo na própria Avenida". Com a negativa de Luma, Ciça convidou Juliana Paes, que foi sua Rainha de Bateria na Viradouro entre 2004 e 2008. A atriz aceitou o convite, retornando ao posto após dezessete anos. Foram as únicas alterações feitas, já que a escola renovou os contratos com os demais membros de sua equipe, incluindo o carnavalesco Tarcisio Zanon, o intérprete Wander Pires, os coreógrafos da comissão de frente (Priscilla Mota e Rodrigo Negri), diretor de bateria (Mestre Ciça), diretores de carnaval (Alex Fab) e harmonia (Dudu Falcão, Marcos Mendes e Jefferson Coutinho). No dia 11 de abril de 2025 foi sorteada a ordem de apresentação das escolas de samba para o desfile de 2026. A Viradouro foi sorteada para ser a terceira agremiação a se apresentar na segunda noite (segunda-feira) do Grupo Especial. Ao longo das semanas que antecederam o desfile, a Viradouro realizou diversos ensaios em sua quadra e na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, em Niterói. A escola realizou o seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo na noite de 1 de fevereiro de 2026. O segundo ensaio técnico da agremiação no Sambódromo foi realizado na noite de 8 de fevereiro de 2026.

O enredo

A Viradouro anunciou seu enredo no dia 6 de maio de 2025. Desenvolvido pelo carnavalesco Tarcisio Zanon e pelo enredista João Gustavo Melo, "Pra Cima, Ciça!" é uma homenagem ao diretor de bateria da escola, Mestre Ciça. O anúncio foi realizado durante um evento na quadra da escola e surpreendeu o próprio homenageado, que ficou emocionado diante da torcida e dos segmentos da agremiação. A sinopse do enredo foi divulgada em 6 de junho de 2025, num evento na quadra da Estácio de Sá, escola de origem de Ciça.

"Me pegaram de surpresa, estou até agora meio tonto, mas feliz. A ficha está caindo devagar. Foi uma emoção muito grande e a recepção na quadra foi uma coisa surreal. Lógico que os campeonatos são importantes, mas o maior troféu que ganhei na minha vida foi naquela quadra, com todo mundo emocionado, a aceitação do enredo. A Viradouro fez um golaço, minha homenagem em vida". — Mestre Ciça, sobre a homenagem da Viradouro. Desenvolvimento

O enredo foi desenvolvido em cinco setores ao longo do desfile. O primeiro setor retratou a infância de Ciça no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, no final da década de 1920, quando surge a primeira agremiação denominada como "escola de samba", a Deixa Falar. Também foi no Estácio, conhecido como "Berço do samba", que sambistas criaram o "samba de sambar", com andamento mais rápido, notas mais longas e uma cadência diferente do samba da Cidade Nova e do maxixe. Foi nesse ambiente, no Morro de São Carlos, tendo artistas como Bide, Ismael Silva, Gonzaguinha e Luiz Melodia, que o menino Ciça cresceu. A Deixa Falar foi extinta em 1933, mas seus remanescentes criaram outras escolas de samba, como a Estácio de Sá, fundada em 1955 com o nome de Unidos de São Carlos. A Estácio herdou da Deixa Falar as cores vermelho e branco e o leão como símbolo. Em 1971, Ciça tornou-se passista da Estácio. Também foi mestre-sala do Bloco dos Peninhas, uma dentre muitas agremiações carnavalescas do bairro.

O segundo setor do enredo abordou a transformação de Ciça em mestre de bateria. Aos poucos o jovem Moacyr foi aprendendo os segredos da percussão até se tornar ritmista. Após o carnaval de 1988, o experiente Hélio Macadame convidou Ciça para substituí-lo e se tornar o líder da bateria da Estácio, apelidada de Medalha de Ouro. Assim, no carnaval de 1989, Ciça estreou como Mestre de Bateria, conquistando a nota máxima de todos os jurados do concurso. Ainda na Estácio dos anos 80, Ciça inovou ao mudar a posição de tocar o instrumento conhecido como caixa-de-guerra. Usualmente carregadas na altura da cintura, os ritmistas estacianos passaram a carregá-las nos ombros, permitindo um andamento mais acelerado do samba, o que viraria uma forte característica na carreira de Ciça. No carnaval de 1992, a Estácio de Sá foi campeã tendo Ciça como mestre de bateria, Dominguinhos do Estácio como intérprete, além do casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso. Com um desfile sobre o Modernismo no Brasil, a escola contagiou o público na Marquês de Sapucaí e produziu imagens marcantes como a alegoria do Trenzinho Caipira e a passista Luciana Sargentelli sambando com os pés ensanguentados em cima de um carro alegórico.No terceiro setor, o enredo relembrou outras passagens marcantes da carreira de Ciça. No desfile da Estácio de 1996, a escola agitou o público no Sambódromo quando os ritmistas, ao comando de Ciça, ergueram os instrumentos em determinado trecho do samba-enredo. Vascaíno, Ciça participou dos desfiles em homenagem aos centenários do Flamengo (Estácio 1995) e do Vasco da Gama (Unidos da Tijuca 1998). Em 2001, na Viradouro, os ritmistas de Ciça e a Rainha de Bateria Luma de Oliveira executaram uma coreografia em que se ajoelhavam no chão da Sapucaí.

No carnaval de 2007, os ritmistas da Viradouro e a Rainha de Bateria Juliana Paes desfilaram em cima de uma alegoria por iniciativa do próprio Ciça, que já havia tentado fazer a inovação no carnaval de 1995 da Estácio, mas não conseguiu viabilizar o projeto. O enredo ainda lembrou as passagens de Ciça pela Grande Rio, onde foi vice-campeão do carnaval em 2010; e na União da Ilha do Governador, onde conquistou o prêmio Estandarte de Ouro em 2017. Em 2019, Ciça retornou à Viradouro no desfile que também marcou o retorno da escola ao Grupo Especial do carnaval. Na escola de Niterói, conquistou os títulos dos carnavais de 2020 e de 2024. Nos dois anos, Ciça realizou pesquisas rítmicas em terreiros de candomblé para criar arranjos percussivos de acordo com os enredos. Os dois últimos setores do enredo abordaram características do trabalho de Ciça, as relações pessoais com seus ritmistas e outros mestres de bateria, a preocupação o futuro e uma homenagem à Bateria Furacão Vermelho e Branco da Viradouro.

O samba-enredo

Processo de escolha

A disputa de samba-enredo da Viradouro teve início em 5 de agosto de 2025 com a inscrição de 26 sambas concorrentes. O processo de escolha foi realizado em forma de classificatória, com os sambas sendo apresentados na quadra e avaliados pela direção da escola com eliminatórias semanais. Três parcerias chegaram à final da disputa, realizada na madrugada de sábado, dia 27 de setembro de 2025, na quadra da Viradouro, em Niterói. Venceu a composição da parceira formada por Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Anderson Lemos, Sandrinho e Thiago Meiners. O samba vencedor era apontado como favorito desde o início do concurso e ganhou a torcida de Mestre Ciça, que subiu ao palco durante a apresentação da obra na final. A versão do samba para o concurso foi gravada com a voz de Dominguinhos do Estácio recriada com inteligência artificial. O recurso foi usado com autorização e respaldo legal da família do intérprete, morto em 2021. "Para nós, é indescritível. Já vencemos outras vezes na Viradouro, mas cada samba tem sua particularidade. Este é ainda mais significativo, porque, pela primeira vez, toda a parceria é formada por viradourenses de coração. Estamos muito felizes e emocionados, especialmente pelo que vivemos hoje na quadra. Foi imensamente gratificante". — Thiago Meiners, um dos compositores do samba da Viradouro. A versão oficial do samba foi gravada pelo intérprete Wander Pires e ritmistas da Bateria Furacão Vermelho e Branco no dia 2 de outubro de 2025, no Estúdio Century, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O samba da Viradouro foi lançado oficialmente nas principais plataformas de streaming em 28 de outubro de 2025, sendo a quarta faixa do álbum Sambas de Enredo Rio Carnaval 2026. A versão ao vivo do samba, gravada durante o desfile oficial no Sambódromo, é a faixa de abertura do álbum Ao Vivo Sapucaí 2026, lançado em 10 de abril de 2026 nas principais plataformas de streaming de áudio. Pela vitória no carnaval, a Viradouro estampa a capa do álbum com uma imagem de Mestre Ciça durante o desfile campeão.

Letra e melodia A letra do samba tem como eu lírico um ritmista discípulo de Mestre Ciça; enquanto a melodia realiza um resgate nostálgico da identidade musical que consagrou o diretor de bateria em suas passagens pelo Estácio de Sá e pela Viradouro: sambas construídos em tonalidade maior, de caráter valente e aguerrido, mas sem perder a riqueza intervalar e a sofisticação harmônica. A primeira estrofe do samba começa com o narrador descrevendo seu sentimento em desfilar tocando na bateria ("Eu vi... a vida pulsar como fosse canção / Milhões de compassos pra eternizar / Em cada batida do meu coração / O som que reflete o seu batucar"). Em seguida, lembra a infância de Ciça no Morro de São Calos e o começo de sua carreira na Estácio de Sá, escola de samba do compositor Ismael Silva, do mestre-sala Bicho Novo, e cujo símbolo é um leão (Lá, onde o samba fez berço, do alto do morro / Um menino orgulha Ismael, Bicho Novo / Forjado nas garras do velho leão). Ciça começou como passista e aos poucos foi se transformando num renomado mestre de bateria ("Contam no Largo do Estácio / O destino em seu passo / Que fez, pouco a pouco, uma chama acender / Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger"). No trecho, o desenho melódico torna-se ascendente e vigoroso, assumindo um contorno operístico e soturno, que enriquece a forma de contar esse momento do enredo. As notas desenham uma curva de mistério e densidade, criando uma atmosfera teatral que prepara o ouvinte para a virada rítmica subsequente. No refrão intermediário, de melodia ágil e festiva, o eu lírico faz referência ao campeonato de 1992 da Estácio de Sá, e um dos momentos mais emblemáticos daquele desfile, a alegoria do trenzinho caipira; além de citar o apelido da bateria da escola, conhecida como "Medalha de Ouro" ("Quando o apito ressoa, parece magia / Num trem caipira, no olhar da baiana / Medalha de ouro, suingue perfeito / Que marca no peito da escola de samba").

A segunda estrofe do samba começa com o narrador lembrando que Ciça passou por outras escolas, destacando o estilo ousado do mestre ("Se a vida é um enredo, desfilou outros amores / Maestro fez do couro sinfonia / Na ousadia dos seus tambores"). A seguir, a letra do samba faz referência a desfiles que Ciça participou como Viradouro 2007, onde ritmistas desfilaram fantasiados de peças de xadrez; Viradouro 2019, quando Ciça desfilou fantasiado de feiticeiro; União da Ilha 2017, quando Ciça criou arranjos percussivos com vinte atabaques; e os desfiles de 2020 e 2024 da Viradouro, quando Ciça criou arranjos inspirados nos rituais das religiões afro-brasileiras ("Peça perfeita pra me completar / Feiticeiro das evocações / Atabaque mandou te chamar / Pra macumba jogar poeira"). Neste trecho, a melodia adota o ritmo dos pontos religiosos afro-brasileiros, e a linha vocal torna-se cíclica e rítmica, com métrica curta e forte acentuação nos contratempos. O trecho também lembra quando Ciça, ainda na Estácio dos anos 80, inovou ao mudar a posição de tocar o instrumento conhecido como caixa-de-guerra. Usualmente carregadas na altura da cintura, os ritmistas estacianos passaram a carregá-las nos ombros, permitindo um andamento mais acelerado. ("No alto, vai resistir a caixa de Moacyr / Legado do mestre Caveira"). Encerrando a segunda estrofe, o eu lírico se declara a Ciça e lembra outro momento marcante da carreira do mestre, quando os seus ritmistas se ajoelharam durante o desfile da Viradouro em 2001 ("Sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você / Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender / E, hoje, aos teus pés / Somos todos um nessa avenida"). O trecho termina citando a bateria da Viradouro, conhecida como "Furacão Vermelho e Branco" ("Num furacão que nunca vai ter fim / Nossa história não encontra despedida"). A melodia gera o clímax necessário para a explosão vocal no refrão que vem a seguir. O refrão principal exalta a ligação de Ciça com a Viradouro, celebra a homenagem do Mestre ainda em vida e em plena atividade na escola e a transmissão de seu legado para novas gerações, personificada na palavra "tambor" ("Se eu for morrer de amor, que seja no samba / Sou Viradouro, onde a arte o consagrou / Não esperamos a saudade pra cantar / Do mestre dos mestres, herdei o tambor"). O desenho melódico do refrão realiza um movimento de tensão e relaxamento: brilha na abertura, mas repousa em notas graves e firmes na conclusão, garantindo peso e solenidade à citação à escola e à reverência ao Mestre.

Crítica especializada Em sua crítica para O Globo, o jornalista Bernardo Araujo escreveu que o samba "fala mais do Estácio do que do tema propriamente dito" e que "Wander Pires, que, ano após ano, vem domando seus exageros vocais, tem boa performance". Alberto João, do site Carnavalesco, classificou o samba como "magistral", apontando que ele "traduz o enredo com potência, vibração e verdade" e que "Wander Pires, atualmente, é o principal cantor do carnaval". Para o site Sambario, Carlos Fonseca escreveu que "a vermelha e branca de Niterói tem um samba que une qualidades e emoção para uma homenagem de precedente inédito no carnaval [...] Destaques pra direção musical da escola nos arranjos (com a primeira passada sem bateria) e pra atuação de Wander Pires".

O desfile A Viradouro foi a terceira escola a se apresentar na segunda noite do Grupo Especial, iniciando seu desfile na madrugada da terça-feira de carnaval, dia 17 de fevereiro de 2026. A apresentação contou com dois mil e quinhentos componentes, divididos em 23 alas, seis carros alegóricos e dois tripés. A escola finalizou seu desfile com 79 minutos (um a menos do que o tempo máximo permitido), sendo ovacionada com gritos de "campeã" do público presente no Sambódromo.

Recepção dos especialistas O desfile foi aclamado pela crítica especializada, ganhando adjetivos como "histórico", "emocionante", "arrebatador", "apoteótico", "ousado" e "inovador". Os jurados do prêmio Estandarte de Ouro premiaram a Viradouro como a melhor escola do ano. Segundo o júri, "ficou a clareza de que a escola soube explorar com maestria o carisma de Ciça, tanto como representante do sambista tradicional quanto pela sua presença marcante. Na avenida, Ciça tornou-se um símbolo de todos os sambistas, com o enredo traçando sua trajetória e homenageando suas contribuições ao carnaval. Foram destaques a emoção e o samba, que superou as expectativas, com uma ótima execução". Aydano André Motta, do jornal O Globo, classificou o desfile como "arrebatador", apontando que "desde a comissão de frente até a bateria, a escola de Niterói brilhou intensamente. O carnavalesco Tarcisio Zanon assinou tamanha beleza, consolidando-se como um dos grandes artistas do momento. Contou com a parceria dos fortes quesitos da escola e a paixão visceral dos componentes. O samba, que não estava entre os melhores do ano, funcionou na voz do icônico Wander Pires e a Sapucaí foi junto, consagrando o mestre/enredo". Para Leonardo Bruno, do Extra, o desfile "injetou uma dose de emoção na Avenida que mexeu com o coração de todos os sambistas. Ciça foi merecidamente ovacionado pela Sapucaí em dois momentos que criaram novas imagens para a história do carnaval: a sensível comissão de frente e o impactante último carro, que trazia a bateria. Um passeio pela história do carnaval que provocou êxtase na Passarela, num desfile coroado por um visual encantador, uma escola feliz e o casal Rute e Julinho em grande fase".

Em sua crônica, O Dia apontou que a Viradouro "emocionou a Sapucaí", destacando que "o começo do desfile foi de grande impacto com Ciça participando da Comissão de Frente [...] A Viradouro desfilou com muito luxo e leveza. Os acabamentos das alegorias da escola chamaram a atenção pelo capricho nos detalhes. Além disso, as fantasias, além de belas, também facilitaram o trabalho dos componentes no desfile [...] Julinho e Rute demonstraram a segurança de sempre e encantaram o público com a sintonia característica do casal [...] O samba-enredo, que não era considerado um dos melhores da safra, acabou funcionando. O carro de som, comandado por Wander Pires, conduziu bem o andamento e os componentes da escola desenvolveram bem o canto na Sapucaí". O site Carnavalesco classificou o desfile como "apoteótico", apontando que a Viradouro "conseguiu combinar técnica e emoção para realizar talvez a maior homenagem feita na Sapucaí. Não só pela homenagem, mas pela quantidade de momentos emocionantes que o desfile teve e pelo alto nível que a Viradouro imprimiu em todos os quesitos". Os comentaristas do site SRzd também elogiaram o desfile. Para Cláudio Francioni, "o samba teve na comunicação com o público sua maior virtude". Segundo Célia Souto, "o samba funcionou musicalmente muito bem na Avenida. E a evolução demonstrou componentes dançando descontraídos dentro das alas, resultando num desfile com muito gingado e equilíbrio visual. Excelência em harmonia e evolução". Jaime Cezário apontou que o enredo teve "forte carga emocional" [...] "As fantasias mantiveram o já reconhecido padrão de excelência da Viradouro: acabamento impecável, paleta cromática envolvente, volumetria bem resolvida, requinte e alta qualidade de execução. Houve unidade estética sem abrir mão do impacto visual — luxo com identidade e personalidade. As alegorias seguiram o mesmo nível de apuro" [...] "Uma homenagem bela, emocionante e plenamente merecida a um ícone do samba". Em seu site, a jornalista Heloisa Tolipan escreveu que "Em noite inspirada, a Viradouro emocionou ao homenagear o mestre Ciça e despontou como a apresentação mais impactante".

Julgamento oficial

A Viradouro foi campeã com um décimo de vantagem sobre a vice-campeã, Beija-Flor. Com a vitória, a Viradouro conquistou seu quarto título no carnaval carioca. Com a vitória, a escola foi classificada para encerrar o Desfile das Campeãs, que foi realizado entre a noite do sábado, dia 21 de fevereiro de 2026, e a madrugada do dia seguinte, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. No dia 7 de março de 2026, a Viradouro realizou um desfile na Avenida Amaral Peixoto, em Niterói, para comemorar o título de campeã junto com sua comunidade.

Notas A apuração das notas foi realizada na tarde da quarta-feira de cinzas, dia 18 de fevereiro de 2026, na Cidade do Samba Joãosinho Trinta. De acordo com o regulamento do ano, as notas variaram de nove a dez, podendo ser fracionadas em décimos. A menor nota de cada escola, em cada quesito, foi descartada. A ordem de leitura dos quesitos foi definida em sorteio realizado horas antes do início da apuração. A Viradouro começou a leitura das notas liderando empatada com outras escolas. Após a leitura do quinto quesito, Harmonia, a escola assumiu a liderança isolada, onde permaneceu até o final da apuração. A Viradouro recebeu duas notas abaixo da máxima, mas as duas foram descartadas, seguindo o regulamento do concurso. Com isso, a escola foi campeã com a pontuação máxima de 270 pontos.

Justificativas A Viradouro teve apenas duas notas abaixo da máxima, mas elas foram descartadas seguindo o regulamento do concurso. Abaixo, as justificativas dos julgadores para os descontos:

Pryscila Dias, do Módulo 4 de Fantasias, deu nota 9,9 para a escola, descontando um décimo no subquesito "Realização" por causa de "costeiros com forração feita pela metade" na ala 9 ("Um, Dois, Feijão com Arroz") e também por "estruturas quebradas e outras caídas no chão" no costeiro da ala 11 ("Centenários das Paixões: Uma Vez Flamengo X De Gama a Vasco, a Epopeia da Tijuca"). Alessandro Ventura, do Módulo 4 de Samba-enredo, deu nota 9,9 para a escola, descontando um décimo no subquesito "Funcionalidade" justificando que "a evolução hesitante, com seções musicais com direcionamento inconcluso forneceu atributos, por assim dizer, claudicantes nas notas e desenhos. Exige atenção o trecho de 'peça perfeita pra me completar' até 'legado do mestre caveira' em que a composição dá um giro na forma através do apressamento e encurtação das notas e da pronúncia dos versos".

Premiações

A Viradouro recebeu a maioria dos prêmios de melhor escola/desfile do ano. Também teve a comissão de frente, o enredo e o carnavalesco mais premiados do ano.

Repercussão da vitória

Ao final da apuração das notas, famosos, políticos e componentes da escola repercutiram o título conquistado pela Viradouro. Em nota, o então prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, declarou que "Nos últimos anos, a escola conseguiu chegar à perfeição do chão da comunidade, planejamento e competência para fazer um emocionante e grande carnaval na Sapucaí. O enredo sobre Mestre Ciça é uma linda e merecida homenagem a ele e para toda cultura popular brasileira! Vamos seguir apoiando forte a escola para o carnaval de 2027". O então prefeito do Rio, Eduardo Paes parabenizou a escola em suas redes sociais: "Parabéns à Viradouro, campeã mais que merecida do carnaval 2026! O enredo sobre Mestre Ciça foi uma das homenagens mais lindas e emocionantes que já passou pela Sapucaí. Mestre Ciça é um dos símbolos do carnaval. Ver o reconhecimento da sua trajetória e esse campeonato é a prova de que temos que reverenciar aqueles que constroem a cultura de nosso país. A Viradouro mostrou que grandeza também é saber honrar quem construiu o caminho. Viva Mestre Ciça! Parabéns, Viradouro!". Luma de Oliveira, Juliana Paes, Erika Januza, Lore Improtta e seu marido, Léo Santana, também usaram as redes sociais para celebrar a conquista da escola. O Vasco da Gama parabenizou Ciça, torcedor do clube, e presenteou o mestre de bateria com uma camisa do time.

O jornalista Mauro Ferreira escreveu ao G1 que "a vitória da Viradouro entroniza Mestre Ciça no panteão dos imortais [...] Ciça personifica o sambista que dá o sangue e o suor para ver brilhar a escola em que desfila [...] Mais do que um ritmista ou diretor de bateria, Ciça é um exemplo a ser seguido pelo amor ao carnaval". Para Aydano André Motta, do jornal O Globo, A consagração do mestre de bateria, transformado em enredo, foi uma celebração arrebatadora à própria festa [...] Com a criatividade de uma equipe magistral, a Viradouro materializou uma apresentação inesquecível e, para sorte da própria festa, ganhou". Para Bernardo Araujo, também do jornal O Globo, a Viradouro teve um "resultado perfeito para um desfile perfeito", refletindo o que se viu no Sambódromo. Valmir Moratelli, da Veja, classificou o título como "incontestável e celebrado por todos". À CNN Brasil, o escritor e doutor em Ciências Sociais Edson Farias declarou que a Viradouro "conseguiu aliar competência técnica a uma carga emotiva muito forte ao homenagear um dos seus baluartes" e que a vitória da agremiação "fala das oportunidades que o desfile da escola de samba permite; como um homem anônimo, periférico, chega ao estrelato do carnaval". Rosana Hermann, da Folha de S.Paulo, exaltou a humildade do mestre homenageado: "Ciça repetia o tempo todo que era a vitória do samba, dos sambistas, de todas as pessoas que fazem a folia. Ele transferiu toda a honra que recebeu como indivíduo para o coletivo". A vitória da Viradouro fez disparar as buscas pela escola e por Mestre Ciça no Google. A escola também teve mais de quinze milhões de interações somadas entre Instagram, Facebook e X durante o carnaval, segundo levantamento do instituto Nexus.==Referências==

Bibliografia LIESA (2026). Livro Abre-Alas 2026 (Segunda-feira) (PDF). [S.l.: s.n.] Cópia arquivada (PDF) em 27 de fevereiro de 2026

Ver também

Carnaval do Rio de Janeiro Desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro Lista de campeãs do carnaval do Rio de Janeiro Carnavalescos campeões do carnaval do Rio de Janeiro

Ligações externas Site oficial da Unidos do Viradouro Site oficial da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA)