Mestre de cerimônia do Geração Glamour 2026 ao lado da atriz Clara Moneke, a advogada e comunicadora reflete sobre as transformações dos últimos cinco anos, o laço estreito com as próprias raízes e o desejo de amplificar histórias femininas

Juliette — Foto: Bruna Castanheira

Em 2021, Juliette Freire entrou no Big Brother Brasil como uma advogada e maquiadora de Campina Grande, na Paraíba, que sonhava em transformar a própria vida. Saiu, pouco mais de três meses depois, como um dos maiores fenômenos de popularidade da história do reality show. Entre uma versão e outra da mesma mulher, vieram milhões de seguidores, uma legião de fãs e uma exposição nacional que ela ainda tentava compreender. Hoje, aos 36, a artista olha para aquele período com mais tranquilidade e a certeza de que amadurecer também significa aprender a fazer escolhas.

Antes de conquistar o público brasileiro, Juliette já havia percorrido um caminho de persistência. Filha de uma cabeleireira e de um mecânico, começou a trabalhar ainda criança no salão da mãe. Chegou a cursar Letras antes de se formar em Direito pela Universidade Federal da Paraíba, em 2017, e dividia a rotina entre a advocacia, a maquiagem e os estudos para concursos públicos. A música, embora presente desde cedo em sua vida, ainda não era uma possibilidade concreta de carreira.

Tudo mudou quando venceu a 21ª edição do BBB com 90,15% dos votos. A identificação do público com seu jeito espontâneo, o sotaque paraibano e a personalidade intensa fez com que ultrapassasse a marca de 20 milhões de seguidores ainda durante o confinamento. Poucos meses depois, recebeu o prêmio de Mulher do Ano no Geração Glamour, em meio a uma avalanche de novidades pessoais e profissionais. "Acho que hoje eu tenho mais consciência de quem sou e do que quero construir. Naquele momento, tudo era muito novo, e eu estava aprendendo a lidar com uma exposição que chegou de repente. De lá para cá, vivi muitas experiências, errei, acertei, estudei, experimentei coisas e entendi que não preciso dar conta de tudo nem corresponder a todas as expectativas", conta.

Juliette — Foto: Bruna Castanheira

A transformação também passou pela vida profissional. Juliette se lançou na música ainda em 2021, mas não se limitou aos palcos. Em 2026, passou a integrar o elenco do Saia Justa, no GNT, ao lado de Eliana, Bela Gil, Erika Januza e Tati Machado, consolidando uma nova fase como apresentadora. No programa, encontrou espaço para exercitar uma de suas características mais conhecidas: a capacidade de se posicionar e compartilhar experiências pessoais em conversas sobre comportamento, relacionamentos e questões do universo feminino. "O sucesso, para mim, deixou de ser apenas sobre chegar a determinados lugares. Tem muito mais a ver com o que consigo construir, com as pessoas que caminho junto e com a liberdade de fazer escolhas que tenham sentido para mim", reflete.

Mas, entre tantas novas portas abertas, existem partes da história das quais não abre mão. "Quero preservar minhas raízes, minha relação com a minha família, minha fé, meu senso de justiça e essa capacidade de me emocionar com as coisas simples", afirma. Em contrapartida, diz ter deixado para trás algumas inseguranças, a necessidade de agradar a todos e a sensação de que precisava provar alguma coisa o tempo inteiro.

Em 2026, Juliette retorna ao palco do Geração Glamour como uma das apresentadoras da edição Supernova, dedicada a celebrar mulheres que nos levam além. A ocasião marca mais um capítulo de sua relação com a premiação: depois de ser eleita Mulher do Ano em 2021, voltou no ano seguinte para entregar o mesmo troféu a Linn da Quebrada. Agora, assume uma nova função na celebração. "É muito especial voltar ao Geração Glamour de uma forma diferente. Quando levei o troféu, estava ainda tentando entender tudo o que estava acontecendo na minha vida. Hoje, voltar como apresentadora me faz olhar para essa trajetória com muito carinho e também com um senso de responsabilidade", diz.

Juliette e Clara Moneke comandam a apresentação — Foto: @kenjinakamura

Ao falar sobre as figuras que a inspiram, ela não precisa procurar longe: cita a mãe, a irmã e tantas fortalezas femininas da própria família, brasileiras lhe ensinaram sobre força, trabalho e resistência. Agora, quer contribuir para que outras histórias também sejam valorizadas. "Celebrar outras mulheres é reconhecer que nenhuma conquista acontece isoladamente. Existem muitas lutas e caminhos diferentes que merecem ser vistos e festejados. Fico feliz de poder ocupar esse espaço e, de alguma forma, ajudar a dar voz e visibilidade a essas narrativas", completa.

Direção de arte: Lori Baroni

Fotos: Bruna Castanheira

Set design: Debora Lima (Poppy Flower)

Retoque de beleza: Juliana Boeno / Beleza (Kaylane): Juliana Boeno
Produção executiva: Leili Rodrigues
Assistente de foto: Guilherme Vaz Guimarães, Marina Scanavez e Renato Zimmermann
Assistente de set design: Jefferson Ferezin
Assistente de produção: Shay Gonçalves
Tratamento de imagem: Clara Canepa
Agradecimento: Locadora Plural
Juliette — Foto: Bruna Castanheira
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