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Na TV em ‘Quem ama cuida’ e com projetos no cinema e no streaming, ator afirma: ‘A vida artística é tão glamourosa que às vezes a gente se afasta de perceber as pequenas conquistas’

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Ator João Vitor Silva, de 'Quem ama cuida', 'Antártida' e '100 dias' — Foto: Divulgação / Lucas Ramos

Tem sido difícil escapar de João Vitor Silva. O ator carioca de 30 anos está em cartaz nos cinemas com “Antártida”, de Bruno Safadi, ao lado de Marina Ruy Barbosa, Andréa Beltrão e Lázaro Ramos. Também pode ser visto na tela da TV Globo em “Quem ama cuida”, novela das 21h em que interpreta Rafael. Recentemente, fez participação na série “Emergência 53”, do Globoplay. No primeiro semestre, lançou dois filmes, o drama “Cinco tipos de medo”, de Bruno Bini, vencedor do Festival de Gramado de 2025, e a comédia romântica “Deixa acontecer”, de Natália Grimberg. E já tem novo filme chegando às telonas no final do mês: “100 dias”, de Carlos Saldanha, em que dá vida a Tymur Klink, irmão de Amyr Klink. Nos noticiários, também está em evidência em razão do relacionamento com a cantora Iza, oficializado no início do ano, quando foram fotografados juntos em um camarote na Sapucaí, durante o carnaval.

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— O João é um dos nossos jovens atores que já têm um repertório extenso. Ele já tem uma experiência que permite carregar um range dramático e de atuação bastante amplo. É um cara profundamente dedicado que faz ação, comédia e drama, e faz tudo bem — diz o diretor Bruno Bini. — Meu sentimento como diretor é que a gente pode jogar qualquer bola para ele que vai matar no peito e a chance de gol será grande.

Após fazer sua estreia nas telinhas com “Kubanacan” (2003), João Vitor ficou marcado ao assumir o papel de Pedrinho em “Sítio do Picapau Amarelo”, entre 2004 e 2005. No ano passado, integrou o elenco de “O agente secreto”, drama de Kleber Mendonça Filho com quatro indicações ao Oscar.

Em entrevista ao GLOBO, João Vitor fala sobre momento profissional, planos para uma carreira musical e o relacionamento com Iza, a quem chama carinhosamente de Isabela. Confira os principais pontos da conversa.

Ator João Vitor Silva, de "Quem ama cuida", "Antártida" e "100 dias" — Foto: Divulgação / Lucas Ramos

O início no morro

“Olhando para trás, acho tudo muito louco. Venho de uma família muito humilde. Meus pais são paraibanos, eu nasci no Rio, sou o décimo filho dos meu pais. Cresci numa comunidade, no Morro Dona Marta, em Botafogo. Sempre tive uma vida muito distante do universo que vivo hoje. Minha mãe conta que eu sempre tive um lado artístico, que gostava muito de cantar. Mas acho que fui entender de fato a minha profissão depois de já ter feito muitas coisas, já maior de idade, quando pude entender o poder que era contar histórias e fazer com que o público pudesse se identificar. Nos últimos tempos, tenho visto meu nome sair da quarta página dos nomes do elenco para a segunda, às vezes a primeira. A vida artística é tão glamourosa que às vezes a gente se afasta de perceber essas pequenas conquistas. Eu sou um cara que toma muito cuidado com isso, de não esquecer de celebrar as conquistas, sejam grandes ou pequenas, e sempre lembrar do lugar de onde vim.”

Iza

“Vivemos uma vida muito glamourizada. As pessoas acham que estamos sempre querendo aparecer, pensando em looks, em joias, na maquiagem. Quando, na verdade, somos humanos. Me apaixonei pela Isabela, ela se apaixonou por mim e estamos vivendo este amor. Tudo na nossa vida já é tão exposto, que tentamos guardar o máximo do que estamos vivendo pra nós mesmos. Não vamos deixar de viver, vamos sair, ela foi no lançamento do meu filme, eu vou no show dela, mas achamos importante preservar aquilo que é nosso. O Brasil tem essa cultura da mídia fofocal, que dá palpite na vida dos outros, que quer aprovar o casal. Quando você dá ouvido pra isso, pode acabar entrando na mente. O que importa é o que sentimos um pelo outro.”

Cantora Iza acompanha o namorado, o ator João Vitor Silva, em lançamento do filme "Antártida" no Festival de Gramado de 2026 — Foto: Lucas Ramos/Divulgação
Com Amyr Klink: ‘100 dias’
“Eu já era fã do Carlos Saldanha desde as animações dele (“A era do gelo”, “Rio” etc.). Ficava imaginando como seria trabalhar com ele. E foi muito especial, a forma como ele pensa o universo do filme, o roteiro dele é todo desenhado. É um filme de muito silêncio e muito sensível. É sobre os 100 dias de travessia do Amyr Klink (através do Atlântico Sul), mostrando os desafios dele. E o meu personagem é o ponto de apoio dele na terra. Eu sai desse filme muito reflexivo sobre a minha relação com os meus irmãos, porque é sobre uma família disfuncional. O pai do Amyr era uma figura difícil e isso acaba desestruturando a família. E esses irmãos lutam para manter a chama familiar acesa. Às vezes, a vida e o trabalho faz com que nos afastemos das pessoas, mas saí desse filme provocado a resgatar ainda mais minha relação com meus irmãos.”
João Vitor Silva interpreta Tymur Klink em "100 dias" — Foto: Fabio Braga/Divulgação
‘Quem ama cuida’
“Fazer essa novela tem sido uma coisa muito doida. Está fazendo um grande sucesso, a repercussão tem sido incrível. O Walcyr Carrasco é um gênio e ele ainda se aliou com a Claudia Souto, que é maravilhosa com diálogos. As pessoas me param na rua para falar da novela. Outro dia me pararam na rua e falaram: ‘Eu quero ir na sua clínica, quero fazer bumbum de pêssego’. Ter esse termômetro é muito bom, dá pra sentir que as pessoas estão gostando da novela. É sempre um privilégio estar no horário nobre, a novela é um patrimônio nacional.”
‘Gênias’
“Estou num núcleo só com gênias, a gente dá muita risada. A Isabel (Teixeira) eu não conhecia, mas tá sendo maravilhoso. Já a Tatá (Werneck) eu conhecia por ser muito amigo do Rafa (Vitti), ela é incrível, não para de metralhar palavras, é um improviso atrás do outro. E a Agatha (Moreira) é praticamente minha irmã na vida real, criamos um vínculo muito forte desde ‘Verdades secretas’. Tem sido muito divertido criar essa família louca. Vou para os Estúdios Globo todos os dias muito inspirado para compor com este time.”
50 músicas escritas
“Trabalhar em ‘Deixa acontecer’ (em que vive um astro do pagode) me deu a oportunidade de trabalhar com a música, que é uma outra paixão da minha vida. Sei que não combina com minha profissão, mas sou um cara tímido. Tenho mais de 50 músicas escritas, mas sempre tive uma trava, um medo de julgamento do que as pessoas iam achar. O filme me ajudou muito, foi como se eu estivesse realizando um sonho. E foi muito importante ter o olhar da Isabela, não só como minha namorada, mas enquanto artista que admiro muito. A cada versão de música que fazia, eu corria para mostrar para ela. Ver o processo dela como artista me dá ainda mais vontade de pensar e respirar música. O que eu não gostaria é que meu primeiro projeto musical fosse em paralelo com outras coisas, então, quero parar e me dedicar a isso quando possível. Quem sabe quando terminar a novela.”
João Vitor Silva em cena de "Deixa acontecer" — Foto: Divulgação/Angélica Goudinho/Globo
Talento de camaleão
“Por ter começado como ator mirim e ter crescido ali na frente do público, por muito tempo imaginei que meu perfil como ator já estivesse montado no imaginário das pessoas, não via todas as possibilidades. Até que um dia minha empresária sentou comigo e falou: ‘Você precisa entender que você é múltiplo, você é um ator camaleão’. A partir daí, contei com muitos diretores que confiaram em mim para personagens muito diversos. Quando me vi, estava indo de um pagodeiro romântico (em ‘Deixe acontecer’) para um militar traumatizado (‘Antártida’). Pude descobrir o ouro dessa profissão, que é ter a oportunidade não só de contar histórias diferentes, mas de se experimentar e se investigar.”
Momento profissional
“A verdade é que estou maravilhado. Estou num ótimo momento, vivendo, de alguma forma, tudo que eu sempre sonhei. Eu completei 25 anos de carreira e acho que o universo tem me dado alguns presentes para me mostrar que venho no caminho certo e que devo prosseguir assim. É sempre um presente para um ator ter vários trabalhos para divulgar, com personagens tão diferentes uns dos outros.”
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