Demétrio Vecchioli

Imagem da matéria: PSD deixa mulheres sem dinheiro no Espírito Santo e pode salvar o PSol
Imagem da matéria: PSD deixa mulheres sem dinheiro no Espírito Santo e pode salvar o PSol · Imagem: Source: www.metropoles.com

Candidatas dizem não ter tido respaldo do PSD. Partido pode ser condenado por fraude à cota de gênero, beneficiando Federação Rede/PSol

PSD deixa mulheres sem dinheiro no Espírito Santo e pode salvar o PSol
PSD deixa mulheres sem dinheiro no Espírito Santo e pode salvar o PSol · Imagem: Source: www.metropoles.com

Demétrio Vecchioli

Foto de bandeira do PSol
Foto de bandeira do PSol · Imagem: Divulgação/PSol

08/10/2026 02:00

PSD deixa mulheres sem dinheiro no Espírito Santo e pode salvar o PSol
PSD deixa mulheres sem dinheiro no Espírito Santo e pode salvar o PSol · Imagem: Source: www.metropoles.com

Divulgação/PSol

A Federação Rede/PSol já identificou um caminho para tentar superar a cláusula de barreira retroativamente. No Espírito Santo, onde a federação ficou a 185 votos da regra de ter 1,5% dos votos válidos para deputado federal, os votos do PSD podem ser anulados. Candidatas do partido de Gilberto Kassab alegam que não tiveram qualquer apoio para disputarem uma vaga na Câmara dos Deputados depois de serem chamadas de última hora para concorrerem.

É essa a lógica do crime eleitoral de fraude à cota de gênero, que tem como punição a anulação dos votos de toda a chapa do partido. Eventual cassação dos votos dados ao PSD forçaria uma recontagem, com redução do número de votos válidos no estado e consequente aumento na porcentagem obtida pela federação Rede/PSol para 1,4999% – ou 1,50%, a depender do arredondamento.

Para superar a cláusula de barreira e seguir tendo direito a acessar fundo partidário, a participar de debates e a tempo de televisão, um partido ou federação precisava ter tido 1,5% dos votos para deputado em nove unidades da federação. O PSol atingiu a meta em apenas oito, apesar de ter se aproximado de ter 5% dos votos para deputado federal no país.

PSD e a cota de gênero no Espírito Santo

A cota de gênero exige que partidos assegurem o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo. Nos últimos anos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aumentou a fiscalização contra fraudes à cota e aprovou súmula, em 2024, que lista três circunstâncias em que a fraude é constatada: votação zerada ou inexpressiva; prestação de contas zerada, padronizada ou ausência de movimentação financeira relevante; e ausência de atos efetivos de campanha, divulgação ou promoção da candidatura de terceiros.

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Basta preencher um desses requisitos para a fraude ser atestada, mas as três candidatas mulheres lançadas pelo PSD do Espírito Santo apontam que o partido gabaritou a lista.

“O meu incômodo é que nós mulheres não tivemos nenhuma organização, nenhum aparato para a eleição”, disse à coluna a pesquisadora Sandra Frasson, que não teve sequer santinho para distribuir e recebeu 153 votos. “A gente tem garantia por lei de um recurso mínimo para aquilo que estávamos nos propondo. Como uma candidata vai se locomover sem o fundo eleitoral. Ou invisto do meu próprio recurso, ou pede doação. Eu mandei até e-mail para o [Gilberto] Kassab, mas não tive resposta”.

Ela contou que está em sua terceira candidatura, militou no PV, e chegou a cogitar filiar-se ao PSol. Acabou optando pelo PSD, convidada por um economista amigo dela. “Mas com o escândalo da Apex (Partners) foi um barata voa. E me vi em um partido em que não conhecia ninguém”, relatou Sandra.

Jane Zanetti, uma salgadeira de Colatina, diz ter sido procurada por pessoas ligadas ao prefeito Renzo Vasconcelos, presidente do PSD-ES, com pedido de última hora para que saísse candidata. “Marcaram no dia seguinte e mandaram me buscar. Falaram que precisavam de uma mulher para vir candidata a deputada federal. E eu falei: ‘Mas eu? Vocês quer me colocar na boca do lobo’. Mesmo assim aceitei, porque eles prometeram dar todo apoio”, contou ao Metrópoles.

Ela conta que o partido, porém, não ofereceu qualquer suporte à candidatura. “De lá para cá não deram apoio, não deram dinheiro, nada, simplesmente nada. Não deram apoio nenhum. Era para ter um carro para carregar a gente, levar, trazer, conhecer as cidades, como o Serginho fez”.

Serginho, no caso, é Sérgio Meneguelli, ex-prefeito de Colatina que foi candidato ao Senado pelo PSD-ES. Tanto Jane quanto Sandra relatam que toda a estrutura do partido foi drenada para as candidaturas dele e de Da Vitória (PP), que concorreu a deputado federal pelo PP e é do grupo político.

O único apoio recebido do partido, segundo Jane, foi a gravação de uma propaganda eleitoral na casa de Sérgio, quando outra promessa não foi cumprida. “Ligaram e falaram que tinha que gravar dali a duas horas e que iam aproveitar e o Serginho ia gravar um voto comigo, pedindo voto para mim. Quando cheguei lá, ele só falou: ‘Pode ficar a vontade na minha casa’. Eu falei que ele tinha que fazer a gravação comigo. O pessoal dele disse que me ligava e a gente fazia. Quem disse que ligaram?”

Jane, que teve 122 votos, acredita que só foi registrada como candidata, sem receber um centavo para a campanha, para que o PSD cumprisse a cota de gênero. “Eles falaram que tinha que ter a cota feminina, né? Era para ter outra candidata, mas ela abandonou eles. Não tinham opção e botaram eu”.

Além dela e de Sandra, o PSD tinha uma outra candidata mulher, Cintia Nininha, que nem chegou ao fim da campanha. Terceira mulher da chapa de nove pessoas, ela renunciou à candidatura em 14 de setembro. “Não recebi nada, nem retorno. Eles não respondem nem marcam reunião pra explicar. Só dizem que não receberam nada. Não tem condições de eu trabalhar sem recursos”, afirmou ela em entrevista ao site A Gazeta.

A coluna procurou o secretário-geral do PSD-ES, Nilo Locatelli, que não respondeu às mensagens enviadas. O espaço segue aberto.