Política / Eleições 2026

Alberto Haddad, conhecido como Albertinho Maluf (PP), foi detido em 2019 em casa de jogos ilegais, mas processo foi encerrado; Ney Santos (Rep), de Embu, passou dois anos na cadeia por tráfico de drogas
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Albertinho Maluf, 'sobrinho' do ex-governador, afirma que vai atuar contra jogos ilegais — Foto: Reprodução
O Ministério Público Eleitoral de São Paulo (MPE-SP) ajuizou 557 impugnações de candidaturas para deputado federal e estadual no pleito atual junto ao Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-SP). A maioria dos processos é devido à ausência de documentos, como certidões e registros de bens, mas pelo menos 18 ações estão ligadas a candidatos que tiveram passagens pela polícia — desde casos de contravenções penais até condenações mais graves, como acusações de tráfico de drogas, violência doméstica e estelionato.
Os pedidos do MPE se baseiam na Lei das Inelegibilidades, de 1990, que foi alterada pela Lei da Ficha Limpa, em 2010. São quatro as hipóteses previstas na legislação que podem barrar uma candidatura: condenações por abuso de poder político ou econômico, rejeição de contas públicas, incompatibilidade — pessoa que não se afasta de cargo público antes do prazo legal — e condenação por improbidade administrativa ou criminal por certos tipos de crime.
Um desses crimes foi justificado pelo MPE para tentar barrar a candidatura de Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos (Republicanos), candidato a deputado federal e ex-prefeito de Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo. Ele foi condenado no ano passado a três anos de prisão por porte de armas. Antes disso, passou dois anos preso, no início dos anos 2000, por tráfico de drogas. Segundo a polícia e o MP-SP, Santos é conhecido no mundo do crime como Ney Gordo e é integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
"É certo que Claudinei Alves dos Santos há mais de dez anos constitui, de forma criminosa, verdadeiro império, tendo como objetivo principal, além do conforto e luxo que lhe proporciona o dinheiro ilícito angariado, o seu ingresso no poder do Estado (...) Para dar 'ar' de licitude ao dinheiro produto do crime, pratica lavagem de capitais através da compra de postos de combustíveis, que são colocados em nome de terceiras pessoas, bem como mediante a dissimulação de propriedade de bens", diz trecho de denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-SP, em processo de lavagem de dinheiro e organização criminosa ao qual Ney responde.
O documento foi utilizado pelo MPE-SP para tentar barrar a candidatura de Santos, filiado ao mesmo partido de Tarcísio de Freitas. O caso foi julgado na tarde desta terça-feira e a Justiça autorizou, por 3 votos a 2, a candidatura de Santos. Procurado por meio de seus advogados, Ney Santos não respondeu.
Na cidade vizinha, Embu Guaçu, outro candidato teve o pedido de registro eleitoral contestado pelo MPE-SP. André George Neres de Farias, o Sargento Neres (PP), ex-prefeito do município e postulante a deputado federal, foi condenado a quatro meses de prisão por descumprir uma medida protetiva imposta contra ele. Em 2024, durante a campanha municipal, ele entrou numa padaria em que estava sua ex-esposa. Para os promotores, se enquadra na Lei da Ficha Limpa. Em 3 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral julgou procedente a impugnação e indeferiu o registro de Neres. Em nota, a sua defesa afirma que o caso está sob recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"O que se discute é a capacidade eleitoral, uma vez que inelegibilidade não é pena e não serve para valorizar ou menosprezar a Lei Maria da Penha. Apenas serve como parâmetro para dizer se a pessoa está com os direitos políticos ativos. A pena imposta foi no máximo de 2 anos, assim sendo esta dentro dos ditames", afirma o advogado Maurício Bonfim, que defende Neres.
Outro pedido de impugnação aceito pela Justiça ocorreu contra o influenciador Samuel Herisson Zanelato, o Samuel Pittbul, com mais de 3 milhões de seguidores. Filiado ao MDB e candidato a deputado federal, Pittbul foi condenado em 2009 a cinco anos de prisão por tráfico de drogas. Como o prazo de oito anos após a condenação só vale após o trânsito em julgado da pena, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recursos, o MPE entendeu que ele continuava impedido de disputar eleições, o que foi aceito pela Justiça. À decisão, cabe recurso. A defesa de Pittbul afirma, no entanto, que não vai levar o caso adiante. "Não obstante o acatamento da decisão, a defesa reitera sua convicção jurídica de que prevalece a extinção da punibilidade consolidada no ano de 2014", diz a advogada Iuly Garcia, em nota.
Jantar no bingo
O que seria apenas um jantar com a mãe e o irmão se tornou uma tormenta jurídica para o empresário Alberto Haddad, conhecido como Albertinho Maluf (PP). Ele é primo distante do ex-prefeito Paulo Maluf, mas o acompanha desde pequeno e costuma postar vídeos ao seu lado — e usará o sobrenome nas urnas. Em 2019, Albertinho estava no segundo andar de um imóvel em Pinheiros, na Zona Oeste, quando a polícia apareceu e fichou os presentes.
O motivo é que no andar de baixo funcionava um bingo clandestino. Fichado ao lado da família, Albertinho foi liberado no mesmo dia e o processo seguiu até 2022, quando foi encerrado sem condenações. Porém, o MPE afirma que o candidato deixou de apresentar as certidões sobre o processo, o que fragilizava sua documentação necessária para registro da candidatura. Apesar da alegação, a Justiça liberou a campanha do candidato.
– Não houve detenção nenhuma, nem depoimento eu dei. Eu estava num jantar de aniversário de uma amiga da minha mãe, que tinha jogo, e a polícia foi verificar quem estava no local. Eu não jogo e acho um absurdo, aliás, que as casas de jogos, que geram empregos, serem proibidas enquanto os jogos online, como Tigrinho, caça níqueis on-line e outros esfolam o trabalhador e acabam com a família brasileira. Eu sou contra o jogo. E vou brigar na Alesp contra o patrocínio das bets – disse Albertinho.
Além desses pedidos de impugnação, o MPE requereu cancelamentos de outros 14 registros de candidatos. Sete foram autorizados e cinco ainda estão em análise pelo tribunal. Dois candidatos processados desistiram da campanha eleitoral após o início da ação de impugnação.
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