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Apreensões ocorreram no âmbito das investigações sobre o caso Master; ex-ministro de Bolsonaro é suspeito de atuar em prol de Daniel Vorcaro no Congresso
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Ciro Nogueira é senador pelo PP do Piauí — Foto: Brenno Carvalho
A Polícia Federal (PF) apreendeu em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) cerca de R$ 614 mil em espécie na quinta fase da Operação Compliance Zero, em maio deste ano, em diligências autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os relatórios com as cifras vieram à tona na última sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de mais documentos ligados ao caso Master. O valor é a soma de tudo o que foi apreendido em imóveis do senador e em um cofre na casa de seu irmão.
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De acordo com os policiais, foram encontrados R$ 31.760 e 14.070 euros — cerca de R$ 83 mil na conversão atual — em um cofre no imóvel do senador em Teresina (PI). Ciro, no entanto, estava em sua casa em Brasília, que também foi alvo de diligências. Por lá, a PF apreendeu US$ 27.735 — cerca de R$ 143 mil na conversão atual — e 1.555 euros — cerca de R$ 9,2 mil — no escritório do parlamentar.
Ainda na capital federal, a polícia mencionou no relatório a existência de “várias malas de viagens vazias em nome de terceiros” na casa de Ciro, o que levantou a suspeita de possível utilização para o transporte do dinheiro em espécie.
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“A diligência também evidenciou sinais de elevado padrão econômico, a exemplo de adega contendo vinhos e whiskies de alto valor e diversas bolsas de grife internacional. No closet, foram identificadas várias malas de viagem vazias com etiquetas em nome de terceiros, incluindo familiares do investigado, circunstância que levantou suspeitas quanto à possível utilização para transporte de valores”, diz o documento, que também mencionou a apreensão de joias e relógios de luxo que estavam no cofre do senador.
Ciro é suspeito de ter recebido vantagens indevidas de Vorcaro por ter atuado em favor de seu banco no Congresso Nacional, e chegou a ter viagens para o exterior pagas pelo banqueiro, de acordo com a PF.
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Em 2024, Ciro apresentou uma proposta que ficou conhecida como “emenda Master”. O objetivo do texto era ampliar para R$ 1 milhão o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que hoje tem limite de R$ 250 mil, o que poderia atrair novos investidores para o banco. Conforme mostrou o blog, ele também atuou nos bastidores para impedir a instalação da CPI do Master no Senado.
Em outro endereço atribuído ao presidente do PP, a polícia também encontrou dinheiro em espécie em diferentes moedas — real, dólar e euro —, mas considerou os valores “compatíveis com a capacidade econômica” da moradora do imóvel, a ex-senadora Eliane Nogueira, mãe de Ciro.
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De acordo com a PF, a quantia, que não foi mencionada no relatório, não foi apreendida “por não apresentar indícios de vinculação com os fatos investigados”.
Já na casa de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro e suspeito de atuar como intermediário do banqueiro Daniel Vorcaro no repasse de vantagens financeiras indevidas ao senador, a polícia apreendeu eletrônicos e veículos de luxo, além de 10.155 euros — R$ 60,1 mil na conversão atual — e US$ 55.733 — R$ 287,3 mil — em espécie. De acordo com ele, o cofre seria “familiar”.
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Considerando as três diligências, a PF apreendeu, em valores convertidos a partir da cotação atual, cerca de R$ 614 mil. À época, ao “considerar os câmbios médios” do momento da operação, o relatório apontou a apreensão de “um montante global estimado em cerca de R$ 589 mil”.
“Questionado acerca da existência de valores em espécie, o alvo (Raimundo) indicou a presença de dólares e euros em um cofre familiar, afirmando que os recursos correspondiam a economias destinadas a viagens internacionais”, diz outro trecho do relatório.
Questionado sobre o tema por meio de sua assessoria de imprensa, Ciro Nogueira não respondeu. O espaço segue aberto.
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Papéis na churrasqueira
Foi nessa mesma fase da Compliance Zero que os policiais apreenderam documentos que estavam na churrasqueira da casa de Ciro em Brasília.
No papelório há um rascunho com a palavra “Câmara” e nomes escritos ao lado de números. Há menções a “Arthur”, “Hugo" e “Luizinho”, que o relatório da PF aponta ser “provavelmente” os deputados federais Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB) e Doutor Luizinho (PP-RJ).
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“Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento”, afirma o documento.
O relatório aponta ainda que, durante o cumprimento do mandado, uma funcionária doméstica de Ciro afirmou que o senador ordenou que os documentos fossem queimados na churrasqueira, o que ela não fez “por ausência de tempo hábil”.
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Sigilo levantado
Inicialmente, na noite de quinta-feira (10), o ministro havia determinado a liberação de outros materiais relacionados ao Banco Master, sem ligação com o presidente do PP.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), contudo, solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a retirada do sigilo de todos os documentos.
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O ministro Alexandre de Moraes chegou a sugerir uma “seleção subjetiva” por parte do colega e o acusou de atuar a partir de interesses políticos e eleitorais.
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