A festa do acesso vista no meio da torcida do Santa Cruz

O Santa Cruz está de volta à Série B depois de nove temporadas. De volta do jeito que melhor representa a relação entre o clube e sua torcida: sofrendo junto, reagindo junto e comemorando junto.

Santa Cruz 1 x 1 Maringá | Melhores momentos | 5 ª rodada | Quadrangular da Série C 2026

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É difícil dizer onde termina o Santa Cruz que está em campo e onde começa o Santa Cruz que está na arquibancada.
No empate em 1 a 1 com o Maringá, neste sábado, na Arena de Pernambuco, essa conexão ficou evidente. Do primeiro ao último minuto, o sentimento dentro e fora de campo foi exatamente o mesmo. No início, nervosismo, ansiedade, medo. No fim, euforia, alívio, choro.
Torcida do Santa Cruz comemora acesso à Série B — Foto: Marlon Costa
A bola mal havia começado a rolar quando o Santa Cruz levou um duro e inesperado golpe. Com apenas 17 segundos, o Maringá abriu o placar. O time sentiu. A torcida sentiu junto.
Nada parecia funcionar. A ansiedade aumentava a cada passe errado, a cada ataque que não terminava em gol, a cada chance do Maringá. E foram várias chances. O Santa Cruz precisava reagir.
Havia ainda outro jogo para acompanhar. Em Fortaleza, o Floresta vencia o Botafogo-PB por 1 a 0. O resultado deixava a tensão maior.
Até que veio o segundo tempo. A cabeça voltou ao lugar, a torcida empurrou e o time respondeu rapidamente. Com cinco minutos, Pedro Favela empatou.
Pedro Favela comemora gol pelo Santa Cruz contra o Maringá — Foto: Marlon Costa
O estádio explodiu. Foi como se um peso enorme tivesse sido retirado das costas de todo mundo ao mesmo tempo. Do volante que acabara de marcar. Dos companheiros que correram para abraçá-lo. Do técnico Cristian de Souza na beira do gramado. Dos torcedores que jogavam cerveja para o alto, gritavam e se abraçavam.
O problema é que ainda faltava muito. Um segundo tempo quase inteiro pela frente. O jogo passou a ser uma prova de resistência. Era preciso suportar. O Maringá não desistia e o resultado do Floresta ainda preocupava. Sem sinal de internet no estádio, só quem escutava pelo rádio sabia da outra partida. Um torcedor perguntava ao outro: "e aí, empatou?" Era tensão em dose dupla.
A cada minuto que passava, as sensações se misturavam. O alívio pelo avanço do ponteiro do relógio vinha junto com o medo de que alguma coisa ainda pudesse dar errado antes do fim.
Quatro minutos de acréscimo. E depois mais dois. "Como assim? Por quê?". As pessoas levantavam as mãos para os céus e depois colocavam na cabeça.
A emoção da torcida do Santa Cruz na Arena de Pernambuco com o acesso à Série B
Aos 49, Serginho soltou uma bomba do meio da rua. A bola ganhou altura, caminhou em direção ao ângulo e, por um instante, ameaçou transformar um dia histórico em trauma. Não transformou. A bola acertou a trave.
Um susto ou mais uma prova de que, para o Santa Cruz, nada é fácil?
Até que o árbitro apitou, colocando fim à tensão e deixando muito claro: o time não jogou sozinho. E a torcida não torceu sozinha.
Quando o time sofreu, a torcida sofreu. Quando o time reagiu, a torcida reagiu. Quando Pedro Favela marcou, os dois explodiram. Quando foi preciso suportar os minutos finais, os dois suportaram. Juntos. Clube e torcida. O Santa Cruz.
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