Faltando três semanas para o primeiro turno das Eleições 2026, o Distrito Federal vive um momento de indefinição no pleito para governador. Isto porque, apesar da atual governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) estar bem consolidada nas pesquisas, ainda há dúvidas sobre quem pode enfrentá-la em um possível confronto de segundo turno.No segundo levantamento divulgado pelo Datafolha, na última sexta-feira (11/9), Celina subiu de 30% para 40%, no primeiro turno, seguida por José Roberto Arruda (PSD), que caiu de 28% para 17%, e Leandro Grass (PT), que foi de 11% para 16%. Atrás deles vêm Paula Belmonte (PSDB), com 6% (eram 4%), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo), ambos com 3% — Cappelli manteve o percentual, enquanto Caputo subiu um ponto. Leia também Distrito Federal“Bando de vagabundo”: após debate, Celina diz que não tem medo de “machões” Distrito FederalArruda diz que pretende adotar teletrabalho para servidores do GDF Distrito FederalGrass quer ampliar programas de moradia e construir hospitais veterinários Distrito FederalPaula Belmonte afirma que pretende dar qualificação às mulheres do DF Em 8 de setembro, a Quaest também mostrou a atual governadora na frente, com 35% do eleitorado, 1 ponto percentual a mais do que na primeira pesquisa. Arruda também apresentou queda, passando de 20% para 18%. Já Grass teve um crescimento na pesquisa, indo de 13% para 17%. Paula Belmonte teve 4% (eram 3%), Cappelli apareceu com 2% (eram 3%) e Caputo teve 1% (eram 2%).Estratégias diferentesMas o que os adversários de Celina precisam fazer para conseguir levar a disputa, de fato, para o segundo turno? Ao Metrópoles, o cientista político Leandro Gambiati afirmou que a estratégia é diferente para cada um.Confira o que o especialista apontou:José Roberto Arruda: “Precisa transformar a memória de gestão em voto e, principalmente, neutralizar a incerteza jurídica, porque ela pode provocar voto útil contra ele, favorecendo Grass”;Leandro Grass: “Tem que consolidar a esquerda e usar o empate com Arruda em algumas pesquisas para se apresentar como a alternativa viável no segundo turno, além de falar também para o eleitor que não é de esquerda”;Paula Belmonte: “A candidata tem espaço para ocupar um centro e centro-direita que não queira nem a continuidade com Celina, nem a volta de Arruda e nem uma candidatura do PT, podendo focar nisso”;Ricardo Cappelli: “Precisa encontrar uma identidade eleitoral mais nítida, provavelmente explorando temas em que possui credenciais, como segurança pública, pois corre o risco, hoje, de perder votos de centro-esquerda para Grass”;Kiko Caputo: “O candidato precisa aumentar seu conhecimento e diferenciação como outsider, concentrando a campanha nas bandeiras capazes de identificá-lo claramente para o eleitor”.Arruda x GrassPara João Victor Barbosa, cientista político e internacionalista formado pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), a disputa eleitoral para o governo deixou de ter Arruda como um desafiante isolado à liderança de Celina e passou a apresentar um embate direto entre o ex-governador e Leandro Grass pela segunda posição.O especialista afirmou que, a partir desse cenário, as estratégias de Arruda e Grass precisam combinar dois objetivos simultâneos: diferenciar-se um do outro na disputa pela segunda posição e, ao mesmo tempo, disputar votos suficientes para impedir que Celina amplie sua vantagem a ponto de encerrar a eleição no primeiro turno.João Victor afirmou que a proximidade entre os dois exige uma diferenciação maior. “Se os dois disputam diretamente a mesma vaga, a campanha de Grass precisa deixar mais claro por que o eleitor que busca uma alternativa a Celina deveria escolhê-lo, e não o ex-governador”, explicou.De acordo com o cientista político, a diferenciação pode ocorrer pelo projeto político, pela identidade ideológica, pela proposta de governo, pela trajetória dos candidatos e pela própria discussão sobre renovação política.No caso de Arruda, o especialista comentou que ele precisa evitar dois movimentos simultâneos: a transferência de votos para Grass e a consolidação da narrativa de que sua candidatura perdeu capacidade competitiva.“Sua campanha precisa reafirmar sua viabilidade eleitoral e preservar seu eleitorado, mas também encontrar uma forma de diferenciar seu projeto tanto da continuidade representada por Celina quanto da alternativa progressista representada por Grass”, observou.Segundo ele, a estratégia não pode ser apenas defensiva em relação à questão jurídica. “Ele precisa recolocar, no centro da campanha, os atributos políticos e administrativos que sustentaram sua competitividade no período pré-eleitoral”, ressaltou.O cientista político também falou sobre a questão jurídica da candidatura de Arruda. Recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) indeferiu o registro da candidatura do ex-governador, que recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Enquanto não houver uma definição, a situação jurídica (de Arruda) permanecerá como uma variável relevante da campanha“, opinou.Só que, de acordo com o especialista, isso não permite afirmar, isoladamente, que a queda de Arruda nas pesquisas decorre da decisão judicial. “Mas a incerteza jurídica produz um problema político concreto: além de disputar votos, Arruda precisa administrar a percepção de viabilidade da própria candidatura”, avaliou.“Para parte do eleitorado, especialmente aquele que ainda não consolidou sua escolha, a segurança de que o candidato permanecerá efetivamente na disputa pode influenciar o comportamento eleitoral”, alertou João Victor.As campanhasA reportagem também conversou com os adversários de Celina Leão, para saber quais estratégias eles pretendem utilizar, até o fim da campanha, para se manter bem nas pesquisas, virar votos e ir ao segundo turno.O ex-governador Arruda disse que prefere estar nas ruas. “Gosto de gente. Quando você vai às cidades e ouve as pessoas, é diferente. É aí que você sente os problemas reais da cidade. Isso é o que modela o meu discurso, as minhas propostas. O ‘DataPovo’ tem sido muito generoso comigo. O carinho que recebo nas ruas é muito grande”, pontuou.Já Leandro Grass preferiu manter o mistério. “Estratégia não se revela enquanto a campanha não termina. Não se trata de virar votos, mas de conquistá-los”, avaliou.Paula Belmonte afirmou que sua estratégia é intensificar a presença nas ruas, conversar diretamente com a população e, principalmente, mostrar propostas. “Vamos aproveitar cada debate, entrevista e encontro nas regiões administrativas para apresentar nosso plano de governo. Há muita gente que ainda está formando sua decisão, e é com essas pessoas que queremos conversar”, comentou.Enquanto isso, Cappelli disse que a eleição está “completamente aberta” e muita coisa ainda vai acontecer. “É justamente nessa reta final que o eleitor começa a olhar para a eleição. Vamos intensificar nossas caminhadas, além da presença nas redes e em entrevistas”, observou o candidato.Kiko Caputo afirmou que sua estratégia será mostrar à população que existe uma opção de mudança real. “Vamos percorrer as ruas, apresentar nossas propostas e mostrar que o eleitor não precisa se conformar com mais do mesmo e que existe uma opção capaz de chegar ao segundo turno e vencer o atual governo”, cravou.Candidata a ser batida pelos advserários, Celina Leão disse que, apesar de os números mostrarem que sua candidatura está consolidada na liderança, segue com “muita humildade e os pés no chão”. “A estratégia é continuar percorrendo o DF, conversando com a população e apresentando as entregas e propostas para os próximos anos. O foco é ampliar a confiança do eleitor e trabalhar até o último dia para vencer a eleição.”









